Dia do professor

Dia quinze próximo passado, o calendário marcou o dia do professor, infelizmente não vimos nenhuma comemoração digna para saudar a classe, que se encontra tão desprestigiada nos últimos tempos. E, para brindar tão expressiva data o jornal da televisão Globo (15/10/2012), apresentou uma matéria de uma aluna no estado da Bahia agredindo um professor lançando a carteira em cima do mestre. É, como diz o locutor esportivo Milton Leite “que beleza”. Lastimavelmente, vemos um declínio acentuado no estudo brasileiro, precisamente nos ensinos básico e médio. E, em vista de resultados acumulados nestas cinco últimas décadas, o alicerce da educação sofreu drásticas alterações para pior, provocando patamares de aproveitamento, abaixo do mínimo desejável. Numa análise bastante simplistica, podemos “considerar” que a desvalorização do ensino básico e médio foi feita de forma proposital, afim, de prestigiar o surgimento de escolas particulares, com melhores condições, tanto no aspecto operacional como também no funcional. Em vista disso, num pequeno espaço de tempo, houve a olhos vistos um êxodo nacional de alunos de classe média alta para essas escolas pagas. As quais ofereciam melhores condições de aprendizado e de oportunidades, vendendo a idéia de um futuro mais promissor do que as escolas públicas poderiam oferecer. Tanto é verdade, que os resultados obtidos através dos anos, comprovam isso. Senão vejamos, os que estudaram em escolas públicas apresentaram índices de aprovação em faculdades públicas abaixo do esperado. Por outro lado, os que estudaram em escolas particulares acabam absolvendo a maior fatia do bolo. O que, de certa forma, acaba sendo uma disputa completamente injusta, pois, aqueles que bem poderiam freqüentar faculdades particulares, considerando o seu poder aquisitivo, acabam devido a sua melhor preparação escolar, ocupando o maior número de vagas nas faculdades públicas. Lamentações a parte, porém, o que nos deixa sinceramente chateados é a queda vertiginosa em que se precipitou a classe dos professores. Aliás, deve ser conseqüência direta da decadência do ensino, haja vista, que os mestres certamente são a estrela maior deste universo do saber que deveria ser o ensino brasileiro. Infelizmente, com certa nostalgia, ao se olhar para trás vamos ver o pedestal da glória e da posteridade em que eram colocados os professores de outrora. Naquela época, não tão distante, nenhum aluno, nenhum pai de aluno, nenhum membro da sociedade, como um todo, ousavam sonhar em destratar, desrespeitar ou, imaginar sequer agredir um professor. Havia um fascínio quase que mágico envolvendo a figura altaneira e soberana do professor, a consideração era latente nas atitudes e na convivência com os mestres. Além do mais, este prestígio era conhecido por todos, pois, havia um condicionamento natural dentro da sociedade sobre a importância do professor no conceito educacional. Gente, quase ia me esquecendo, o professor era muito qualificado e recebia salários dignos da posição que ocupava, dificilmente, se ouvia falar que precisava fazer greve para reivindicar melhores condições de trabalho. Hoje, a história não é história, simplesmente é um drama, pois, o  professor não significa muita coisa, ao invés daquele reconhecimento todo, o pobre professor está recebendo em salas de aula, alguns hematomas, provenientes de carteiradas nas costas, bofetadas no rosto e nas orelhas. Sendo que tudo isso acontece sem condições de defesa, uma vez que os ataques sempre são covardes e inesperados e, às vezes até auxiliados por pais de alunos. Atualmente, para ser professor em algumas regiões do país é preciso antes fazer pós-graduação em artes marciais, ou outro tipo de defesa pessoal, caso contrário, o risco é muito grande e, não vale a pena. Inobstante a tudo isso, queremos parabenizar a todos os professores deste imenso Brasil, pois são pessoas abnegadas, corajosas e, que mesmo diante dos obstáculos e das dificuldades não jogam a toalha. Pelo contrário, estão sempre acreditando que o amanhã realmente é outro dia e, quem sabe, as coisas possam mudar. E, orgulhosamente, representando todos os professores, como homenagem, gostaria de mandar um grande beijo a minha primeira professora dona Maria Stella Barbour, se estiver viva e, se não, uma sublime oração.