Comoção nacional

Domingo próximo passado mais precisamente no dia dois de dezembro, grande parte do Brasil parou boquiaberto tendo em vista que o time do coração fracassou e foi direto para a segunda divisão do campeonato brasileiro. Até aí tudo normal, porque se trata de disputa futebolística e as colocações na tabela são conseqüências naturais do desempenho individual de cada competidor. A meu ver este tipo de critério que classifica os melhores é muito justo e, deveria ser assim em todos os setores da vida cotidiana, infelizmente existem ainda as preferências pessoais e os apadrinhamentos que assolam principalmente os setores públicos com ênfase maior nos bastidores políticos. Retornando ao assunto do futebol, causou-nos muita preocupação e estranheza ao ver pela televisão milhares e milhares de pessoas em completo desespero pelo fato ocorrido sobre o rebaixamento da referida equipe, mulheres se descabelando, homens de todos os tipos, moços e velhos, chorando copiosamente sem nenhuma preocupação de mostrar tais sentimentos publicamente, pelo contrário, faziam questão disso. A mim pouco importa, tendo em vista que estamos em um país livre e todo o tipo de manifestação pacífica tem albergue legal para acontecer. Todavia, seria muito mais proveitoso para o país como um todo se essa energia ou esse fanatismo desenfreado tivesse uma convergência para coisas mais importantes, onde as pressões e manifestações populares pudessem obter saldos positivos para o bem da coletividade como um todo. Por outro lado, estamos assistindo os desmandos que não param de acontecer no Senado da República, onde os homens que têm por obrigação constitucional preservar e cuidar do povo, pelo contrário estão preocupados e cuidam apenas de si mesmos, provocando desmandos homéricos, pois sabem bem eles que nada vai acontecer, estão protegidos pela inércia dos cidadãos. Tanto é verdade que esta semana em sessão para cassação do mandato do senador Renan Calheiros, mais uma vez o mesmo saiu ileso, em troca da renúncia de mandato da Presidência daquela casa legislativa, com isso mais uma falcatrua foi concretizada. O pior de tudo é que agora os assuntos importantes do país ficaram em segundo plano, a soluções da aprovação ou não da CPMF, foi temporariamente para a prateleira, pois importante agora é a disputa para definir o novo presidente da casa. E, assim os marajás, vão continuar reinando em berço esplêndido. É aí que reside a nossa indignação, porque não transferir toda essa pujança dada a times de futebol, para uma exigência mais cidadã, cobrando dos homens públicos o cumprimento constitucional de suas obrigações. Infelizmente, as nossas preocupações e objetivos são outros, ou seja, chorar e descabelar por coisas fúteis, isto deve ser mais importante, o resto é resto mesmo. D e fato, o que estamos cogitando, jamais vai acontecer, mas nós gostamos de viajar na maionese e de acalentar sonhos impossíveis, somos amantes das utopias.