Conceitos obtusos

Assistimos boquiabertos nesta semana que passou um acontecimento ocorrido numa cidade do sul do país, onde uma diretora de um curso primário municipal usou de sua autoridade legal para corrigir um aluno. O fato para quem não viu e não soube, aconteceu que na escola citada, através do empenho de pais, mestres e comunidade fizeram arrecadação financeira durante algum tempo.  Para tanto, usaram todos meios disponíveis, tais como: quermesse, bingos, gincanas, venda de guloseimas etc., com o intuito de arrecadar fundos para reforma da escola. Todo o esforço dispendido foi coroado de êxito, haja vista que conseguiram o intento e, com muita alegria foi feita a tão almejada reforma, cuja necessidade maior residia na pintura do prédio.  Após o término dos trabalhos, houve festa e todos estavam realmente felizes, pois a escola segundo os comentários ficou muito bonita, agradável e bastante funcional  para os que lá labutam e estudam. Mas, tal qual não foi à surpresa, por sinal, muito desagradável, um aluno, sem nenhum motivo aparente, pichou uma sala de aula, fazendo cair por terra todo o sonho dos que suadamente tinham conquistado. Foi então que num gesto de revolta e ao mesmo tempo de justiça, a diretora obrigou o rebelde aluno pintar ele mesmo a sala pichada. E, foi aí que a coisa pegou, pois a mãe do garoto achou que a diretora foi arbitrária e colocou o seu “filhinho” em exposição pública, ridicularizando-o. Vejam só, esse pequeno incidente ganhou manchete e, até possibilitou através da internet uma votação nacional para saber se a diretora estava certa ou errada. Eu, particularmente votei a favor da diretora e, graças a Deus o resultado foi favorável à funcionária pública. Usando esse exemplo, viajei no tempo e fui parar na minha infância, quando ainda freqüentava o grupo escolar. Lembro-me muito bem que naquele tempo as coisas funcionavam diferente, pois se casos desta natureza ocorressem as conseqüências seriam outras, pois além do aluno infrator ser punido na escola, chegava em casa a mãe, com certeza, lhe daria um corretivo mais paupável, ou seja, uma belíssima surra educativa. Considero que hoje os tempos são outros, mas convenhamos que a mudança foi para pior, tanto é verdade, que os problemas acumulados e existentes são gigantescos e incontroláveis. E, só para complementar é bom que se frize que naquele tempo a educação dos filhos era exclusividade dos pais e, a escola tinha o papel de ensinar e moldar o aluno para convívio na sociedade, sua função era lapidar a pedra. Outra coisa saudável da educação de outrora era que a gente não tem notícia nenhuma  de que os meninos daquela época  fossem portadores de traumas e outros males comportamentais, pelo contrário, tornaram-se bons pais e excelentes chefes de família. Portanto, urge rever alguns conceitos.