De vez em sempre, não de vez em quando, você lê ou ouve pela TV, notícias que acaba não entendendo, se comparada com outras situações mais agravantes. Dia destes, ouvi atentamente que uma senhora foi penalizada pelo IBAMA, por ter em casa um papagaio de estimação, ave considerada silvestre, a devolvê-la para ou seu habitat, além de prestar serviços à comunidade, como pena pelo ato praticado. Como não poderia ser diferente a lei para proteção de animais silvestre tem apenas uma interpretação, ou seja, é proibido o aprisionamento e comercialização dos referidos animais. Assim é que no caso em pauta, mesmo que haja cuidados especiais e proteção com alguns animais na convivência caseira, não importa, a lei os vê como transgressores. Sabemos que sobre o aspecto legal, houve por parte dos legisladores a preocupação com a devastação indiscriminada de caça aos animais silvestres com fins econômicos, ou seja, proteção contra as quadrilhas de contrabando da fauna. Todavia, quando vemos uma punição feita contra uma senhora que tinha um papagaio como um próprio ente da família, dando-lhe carinho e proteção, ser tratada como uma marginal, aí é que a coisa pega. Pois temos exemplos diariamente sobre desmandos de proporções gigantescas que a lei faz vistas grossas e tudo fica coberto pelo manto da impunidade. Nestes casos o rigor da lei parece fraquejar diante de fatos onde os poderosos estejam envolvidos, atuando sempre de forma tênue e com participação quase imperceptível aos olhos de nós, pobres mortais. Tanto é verdade que temos centenas e centenas de acontecimentos envolvendo figurões da república e que ficaram impunes. Podemos citar alguns fatos mais recentes, tais como: E, o caso do Senador Renan Calheiros, cujos atos de desmandos e enriquecimento ilícito, apurados e documentados, viraram pizzas. E, agora os desmandos do Senador Sarney. Que a cada dia vão surgindo mais fatos alarmantes. Sendo que por incrível que possa parecer tem a cobertura do mandatário maior da nação, alegando que o homem em questão é muito especial, por isso tem que ter tratamento especial, ou seja, é intocável. E, o deputado Federal Edmar Moreira que burlou o Imposto de Renda, construindo no interior de Minas Gerais, um castelo, sem procedências de renda para tal empreendimento. Foi absorvido pelos seus pares na Comissão de Ética. Alegação apresentada foi de que seu ato representou apenas um acontecimento isolado e que não mereceu a preocupação da lei, pois na verdade não prejudicou ninguém. Depois destas narrativas, é melhor não citar mais, pois todos estão carecas de saber das inúmeras impunidades que campeiam nos meios políticos. E, numa inércia quase que letárgica vemos que tais atos não são nem por mera distração perturbados pelos braços da lei. Infelizmente, já estamos quase nos acostumando a conviver com estas nefastas situações, o que na verdade não deixa de ser um perigo para o futuro de uma nação que quer ser de primeiro mundo. Em fim, trocando em miúdos, cremos ser um exagero jurídico punir uma senhora que inocentemente e com carinho cuida de um papagaio. Diante das concessões feitas aos crimes cometidos contra o povo brasileiro por políticos profissionais que se apropriam dos recursos, os quais seriam destinados à saúde, educação, segurança, habitação e demais benefícios necessários. Sabemos que as concessões feitas são evidentemente conveniências políticas e, as penas menores ocorrem puramente por excesso de zelo e, geralmente são aplicadas nos casos de defesas fragilizadas. A lei é uma só para todos, porém….