Infelizmente, procuro de todas as maneiras não escrever sobre esse assunto, por dois motivos capitais. Primeiro que não adianta nada perder tempo com isso, uma vez que nada é feito e o pessoal continua a agir impunemente. Segundo em respeito aos leitores, que sei também não apreciarem o assunto em pauta, pelos mesmos motivos apresentados acima, ou seja, tudo vira pizza mesmo, quer queira quer não. Todavia, vai acumulando uma enxurrada de informações sobre as impunidades dos “benditos” de Brasília e do Brasil também, que chega uma hora que a gente não suporta mais. E, ainda carregando um fiozinho de esperança acabamos voltando ao assunto, acreditando ainda que alguma autoridade iluminada, ou mesma a própria sociedade resolva dar o grito de independência nesta baderna toda. Eu sei e todos nós sabemos que além de ser um sonho é um sonho empírico, pois a corrupção tornou-se uma prática eterna, ou seja, ela é literalmente crônica. Dias destes estava lendo que o governo vai dilatar ainda mais os pagamentos dos Precatórios, com alegação de que ser forem quitar faltará dinheiro para outras obras. Neste fato existem duas coisas muito engraçadas. Primeiro se o pessoal parar de desviar o dinheiro público para causas próprias, com certeza, vai sobrar muito para muitas obras. Segundo, quando um cidadão tem dinheiro para receber do governo eles não pagam, mas quando é ao contrário, o processo é rapidíssimo. Falei disso tudo, para citar que a nova coqueluche do momento em termos de corrupção e malversação do dinheiro público, é a cessão desordenada de passagens aéreas custeadas pela Câmara Federal aos seus apadrinhados e parentes. Chegou-se ao cúmulo de se gastar milhares e milhares de reais num mês, para atender parentes, amigos, ex-políticos e artistas. Sendo assim é impossível ter-se recursos para atender as necessidades da sociedade. Interessante que estas notícias são divulgadas e nos parecem que elas têm efeito ao contrário, pois cada vez que se torna público estes atos ilícitos, mais eles acontecem, devido à impunidade. Desta forma, tomando-se por base todos esses desmandos, de vez em quando temos alguma atitude relacionada que nos deixa cheios de orgulho e satisfação pelo ato em si e pela coragem de determinadas autoridades que honram e dignificam seus cargos. Aconteceu numa cidade de nome Carmo das Cachoeiras, lá das Minas Gerais, onde um magistrado tinha a sua frente um processo de um ladrão de galinhas, que havia roubado duas penosas. O juiz, pensando bem na situação atual do país, principalmente no que diz respeito às impunidades, isentou de pena o marginal, com o seguinte despacho na sentença, a saber: “se virar homem sério, sair dessa trilha. Permaneça em Cachoeira ao lado da família. Devendo, se ao contrário, mudar-se para Brasília”. Inusitada a sentença, mas ela é fruto de tanto ver prosperar a impunidade, que até um magistrado deixa passar batido um delito. Aliás, com muita propriedade. Pois, levando em consideração as calamidades que estão acontecendo na capital federal, supomos que o magistrado pensou que seria um contra senso prender um mísero ladrão de galinhas. É de se lamentar ao ponto em que chegamos.