Sem a pretensão de querer direcionar nada para ninguém, uma vez que tenho a plena consciência que também eu preciso ser direcionado em muitas ocasiões. Portanto, somente a fim de tabular parâmetros e direções, lembramos que somos peritos em condicionar as atitudes dos outros, apenas usando em nosso vocabulário a partícula “se”. Antes, porem, de entrar no mérito da questão, se faz necessário lembrar que outrora já mencionei esse assunto sobre o emprego da conjunção condicional “se”. Todavia, se me lembro bem, naquela ocasião, versamos o assunto mais para o lado das lamentações e pelas perdas de oportunidades. No entanto, observando a grande incidência de colocações do “se”, feitas no sentido de críticas e cobranças, achamos oportuno tecer alguns comentários sobre esse particular. È muito comum à gente observar como as pessoas apontam o dedo em riste e criticam atitudes do mundo todo, apenas numa imaginária troca de posições. Em qualquer rodinha de bate papo, seja qual for o assunto, sempre no grupinho surgem idéias brilhantes tais como: Se eu fosse o presidente do Chile, tomaria medidas diferentes com relação a reivindicação dos mineiros. Se eu fosse o presidente do Banco Central, analisaria melhor a taxa de juros e, não teria baixado essa resolução de aumento dos mesmos. Se eu fosse governador do estado, pensaria melhor na autorização para duplicação da rodovia Euclides da Cunha e, não ficaria enrolando o assunto, pois, futuramente poderia ter ônus políticos irrecuperáveis. Se eu fosse o prefeito, teria como meta principal a construção de casas populares. Se eu fosse técnico da Seleção Brasileira, só convocaria jogadores que estão atuando no país. Se eu fosse Ministro da Educação, ficaria mais preocupado com o ensino básico, pois é o nascedouro de tudo. Se formos continuar falando do quanto à participação imaginária é rica em resolver questões que estão completamente fora do nosso alcance, a lista também é infinita. De repente, como se a voz da consciência tivesse despertado lá dentro de nosso ser, faz a indagação fatal: “E se fosse você, o que você faria realmente?” Porque na verdade ao pensar no que os outros deveriam fazer, a gente está sempre fugindo da nossa própria realidade. Isto porque é costume a gente sempre querer ser o outro, uma vez que é muito mais fácil apontar o dedo em direção daquele que está fazendo alguma coisa, criticando-o. Aliás, criticar é uma tarefa muito fácil, tanto é verdade que até os idiotas são capazes de fazê-las. O difícil é fazer uma auto-análise de nossos erros e defeitos e ter a capacidade para reconhecer as nossas fraquezas, consequentemente assumi-las. O nó da questão está intimamente ligado na personalidade, uma vez que a afirmação “seja você mesmo”, reflete claramente a nossa fuga em teimar ver sempre o externo, quando o correto é ver-se primeiro a si próprio. Portanto, ao invés de se falar “se eu fosse”, o correto é dizer “eu vou fazer a minha parte assim”. A cobrança deve sempre ser feita de forma invertida, ou seja, primeiro dirigida a nós, depois….