Dia sim e dia não ou dia sim e outro também, vemos e ouvimos nos noticiários falados, escritos ou televisados que lá na cidade do Rio de Janeiro um inocente é atingido por uma bala perdida. Geralmente, são crianças indo para a escola ou adolescentes que acompanhavam seus irmãozinhos ou parentes e, sem mais nem menos suas vidas são ceifadas ou na pior das hipóteses tornam-se precocemente tetraplégicas, inúteis, com a vida interrompida ali naquele instante, para sempre, sem nenhuma explicação. Como se fosse num passe de mágica macabra, o mundo se desmorona para elas e, com o passar dos dias, vem a raiva, a tristeza, o abandono, a incredulidade em tudo, até em Deus, pois se fica cego numa situação dessa não sabendo nem discernir de quem é culpa, embora, que intimamente sabemos que os culpados somos todos nós. É bastante improvável que a bala fatal que provoca a tragédia saia da arma usada pelo macaco, pelo leão, pelo elefante, pelo cachorro ou por qualquer animal irracional. Satiricamente, sabemos que não é isso, pois o autor da façanha não poderia ser outro, se não o próprio homem. Afora tudo isso, embora esses fatos estejam acontecendo em terras distantes, estamos todos pesarosos, aflitos e agoniados, na verdade o Brasil todo está de luto, pelas vítimas inocentes, tanto dessas como de todas as tragédias que acontecem todos os dias, penalizando sòmente os indefesos, os fracos e oprimidos. Todavia, o que nos deixa mais entristecidos e, porque não dizer mais impotentes é ver que as autoridades ao invés de procurar estratégias para se evitar essas fatalidades, pelo contrário ficam discutindo para saber qual bala que atingiu a vítima, se da polícia ou do bandido. Convenhamos ser esta uma preocupação um tanto quanto sem a mínima importância, pois apurar responsabilidades não levará a nada, pois a vítima já se foi ou já caiu em desgraça. Diante disso tudo, chegamos a triste conclusão novamente, que o ser humano não tem valor nenhum. Infelizmente.