Bodas de Ouro (1)

Há mais ou menos uns trinta dias atrás ao receber das mãos de um casal amigo, convite para comemoração de seus cinqüenta anos de casados, fomos eu e minha esposa acometidos de uma emoção muito forte. Primeiro pelo grande feito, uma vez que bodas de ouro são acontecimentos muito raros de se ver. Segundo estatísticas mundiais, considerando os enlaces existentes, o índice dessa realização é muito pequeno. Principalmente a partir da década de oitenta, onde se deu início à metamorfose eletrônica e os costumes sofreram grandes transformações até os dias de hoje. Não faz muito tempo assisti uma reportagem sobre jovens adolescentes e seus relacionamentos afetivos entre si e, pelas abordagens ficou bem claro que ninguém é de ninguém e o charme é provar o maior número de conquistas sem que haja nenhum tipo de responsabilidade e, na maioria dos encontros nem os nomes dos protagonistas é sabido, pois não importa muito a pessoa e sim a quantidade de encontros. Na verdade é uma situação bastante cômoda e por que não dizer bastante agradável, o que de certa forma impedirá, com certeza, a manutenção de um compromisso mais sério ou na pior das hipóteses duradouro. Por outro lado, segundo estatísticas recentes aumentaram sobremaneira o número de divórcios em relação aos casamentos, daí pode-se ver que os desenlaces estão aumentando, dificultando, sem dúvida nenhuma o número de casamentos duradouros. Assim é que quando vemos um casal completar bodas de ouro ficamos deveras comovidos, uma vez que são fatos raríssimos e a medida que o tempo vai passando essa possibilidade vai diminuindo sensivelmente. Imaginem uma vida a dois durante cinqüenta longos anos, obedecendo às promessas feitas no altar nupcial, onde as célebres palavras, “na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza”, das quais a maioria dos casais as despreza pelo meio do caminho, pois muitos só querem viver as partes boas do relacionamento conjugal, ou seja, a alegria, a saúde, a riqueza e, quando surge a doença, a tristeza e a pobreza pulam imediatamente fora do barco do suposto amor. Por isso que o casal Adair e Luiz Carlos que enfrentaram todas as dificuldades da vida juntos, embora, no decorrer desses anos ocorreram, com certeza, muitos momentos que deram vontade de chutar o balde e mandar tudo pelos ares, de ambas as partes, porém, nestes momentos nebulosos, certamente, fizeram o “dever de sentar-se”, eliminando-se as arestas e,  tiveram coragem, humildade e principalmente muito amor para permanecerem juntos até  hoje, demonstrando com muita garra e determinação  que é possível enfrentar os obstáculos quando se  está presente a força de  um grande amor, que é a chama viva que faz o casal permanecer unido para sempre. É com muita alegria e satisfação que parabenizamos o simpático casal amigo Adair Fernandes do Prado e Luiz Carlos Cardoso Prado, que gloriosamente conquistaram o troféu desta maratona de vida exemplar a dois e receberam os louros da vitória, neste sábado à noite na missa da igreja de Nossa Senhora Aparecida, onde há cinqüenta anos atrás receberam as bênçãos matrimoniais. Que Deus os ilumine são os nossos votos.