Desencanto

O mundo em si, apresenta-nos situações completamente adversas, ora é um encanto e, logo em seguida, em outro momento, é um completo desencanto. Senão vejamos, às vezes, você goza da amizade de uma determinada pessoa, achando ser para ela o “bom da bala chita”. E, de repente, por coisinhas insignificantes acontecidas, a amizade desaparece e, você fica a “ver navios”, com a aquela pessoa que antes era tudo para você. Então, você, como não poderia deixar de ser fica todo “jururu” e, o desencanto toma conta da gente, deixando-nos, completamente desatinado, pois, aquela amizade, pelo menos, era importante. Independente disso tudo, a gente não aprende e, acabamos retornando aquela amizade, depositando a mesma confiança na dita cuja pessoa e, isto deve durar até o próximo desencanto surgir. Apesar destas nuances, é bem próprio do ser humano devido, a sua fragilidade em sempre escolher aquilo que lhe favorece ou, apenas aquilo que lhe traz vantagens e satisfações exclusivas. Desta feita, queridos leitores (as), particularmente, nestes exemplos de amizades, devemos também fazer um exame de consciência, uma vez que muitos dos desencantos vividos, são provocados por nossas atitudes interesseiras, pensem bem. Passando para uma outra ilustração de exemplo, que ao nosso ver, é uma das mais dolorosas situações de desencantos, os quais, produzem, imediatamente nos ofendidos, calvários dolorosos. Podemos começar pelas mães, as quais, normalmente, fazem tudo pelos filhos e, também em ocasiões que não poderiam fazer nada, mas, sempre em relação a eles enfrentam tudo. E, quando os têm em decadência, sentem a amargura do desencanto invadir o seu coração já estraçalhado pela dor contínua de um sofrimento infindável. A saber, nada abala as mães, a ponto de desanimá-las a abandonar os seus pequenos, uma vez que para elas os filhos sempre serão pequenos, na ótica delas os filhos nunca crescem. E, por assim dizer, as mães são as maiores colecionadoras de desencantos e, fazem isso, com um sorriso da Virgem nos lábios. Quanto aos cônjuges, depois de grandes caminhadas juntos, infelizmente, uma parte considerável deles vai descobrir bem lá na frente que viveram displicentemente, foram engolidos pela rotina e, o amor há muito os deixou. E, como colheita de suas vidas inúteis, só lhes restou os desencantos das conquistas não alcançadas, apenas colherão lembranças do começo glamoroso e, demasiadamente distante, os quais, jamais serão reconquistados. Isto, mostra, com uma evidência cristalina, que a visão da união de duas pessoas, o casamento, é vista com olhos, completamente, desvirtuados. Coloca-se a vida a dois, como sendo algum produto novo que se pudesse adquirir em quaisquer prateleiras, de supermercados. É, sabido, pela maioria das pessoas, porém, a mesma maioria, ignora os cuidados e procedimentos que devem pautar uma vida conjugal, que é regar cada momento, para que no fim consiga desabrochar num verdadeiro amor. Vivendo assim, obviamente, se evitará, com certeza, a rotina, motivo principal para se conquistar um grande desencanto. Por certo, a vida é uma aglutinação de alegrias e desencantos, devemos ser astutos para saber dosá-las e, assim tentar viver em harmonia com todos e, principalmente, conosco mesmo.

Arquimedes Neves – Nei

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