Interessante notar como as coisas mudam no antes e depois, vemos isso a todo instante, às vezes por conveniência, outras por necessidade e algumas por mero oportunismo e, a mais triste delas é quando o depois sente que o antes é totalmente descartável. Quando você vai adquirir um seguro de vida ou um seguro de coisas, o agente é todo solícito, mostra-lhe mil vantagens em tal aquisição, você jamais ficará desamparado, as facilidades para resolver o amparo do seguro quando infelizmente for precisar, será instantânea, não haverá qualquer tipo de empecilho, não se terá o mínimo trabalho e nenhum tipo de dissabor. Mas, se de repente surge a necessidade de se acionar o famoso seguro, aí a coisa pega, porque é um tal de pedir documentos, relatórios, cópias de CPF, RG, atestado de residência, vistorias e mil desculpas para dificultar o pagamento, verifica-se portanto que o depois sempre é muito diferente do antes, causa perplexidade e arrepio ao segurado. E, se coisa referir-se a construção civil, aí vira bicho mesmo, porque antes, as tratativas são as mais amistosas possíveis, todos os profissionais envolvidos são anjos e super capacitados e. dão ao contratante a certeza absoluta que a obra será uma “obra prima” mesmo, sem defeitos e com garantia de serviço de primeiro mundo, depois vem à decepção, as falhas vão aparecendo às pencas e, o pior de tudo que você não encontra os ditos “profissionais” com disponibilidade em nenhum momento para atender ou consertar os serviços maus feitos e, você fica na saudade, sem ter a quem recorrer, o depois na maioria das vezes sempre tem o gosto amargo do descaso e do abandono. Sobre coisas ficam apenas esses dois exemplos citados, contudo, cada um de nós certamente tem milhares de outros casos que podem ser lembrados dentro deste contexto de tratamento entre o antes e depois. Quanto aos relacionamentos, o antes reina com glória total e goza de uma plenitude soberana, enquanto os interesses não se esgotem tudo parece um mar de rosas, os risos, as alegrias e as coisas agradáveis se manifesta a todo vapor é como se tudo fosse o paraíso. Todavia, quando a rotina começa a ser uma constante é um sinal visível de que estamos já navegando dentro do depois, daí começa a florescer as dúvidas, as descrenças, a já não achar graça das piadas e das conversas, começa-se a tornar enfadonha a companhia mútua, então é hora de pedir o boné e zarpar. A vida é como se fosse uma roda-gigante, muda-se constantemente de lugar, hora em baixo, ora em cima, é preciso saber se posicionar, para ter bem claro a visão dos lados do antes e depois, mantendo esse equilíbrio é possível caminhar neste piso de casca de ovos, sem fazer muito barulho, mantendo a bússola na direção certa, sem perder a postura, diante de tanta inconstância na vivência do antes e depois. Haja paciência.