Quem já não ouviu esta expressão, “vistas grossas”, que significa ver e fingir que não viu. Na verdade, estamos cansados de exercitar estas atitudes, devido a vários fatores, um deles seria da conveniência, ou seja, me interessa ou não. Estou comentando sobre isso, devido que estamos sempre protelando alguma providência que deveria ser realizada e fazemos vistas grossas, aliás, a maioria das realizações de coisas paradas e sem solução dá-se devido algum alarde ou por parte da população em algum manifesto ou quando a imprensa começa a falar sobre o assunto, então todo mundo corre para resolver aquilo que poderia ter tido alguma solução independente de manifestações, mas foi feito a famosa vistas grossas. A título de comentário, um problema gravíssimo que temos em nossa cidade são as calçadas, as vezes inexistentes, outras vezes mal conservadas e a pior delas são aquelas íngremes, como se fosse um escorregador. Foram feitas para facilitar a entrada de carros nas garagens, pouco se importando com os transeuntes, os quais fazem o maior malabarismo para passar, torcendo para não cair e se machucar. Todavia, as pessoas idosas são as que sofrem as maiores conseqüências, pois não possuem o equilíbrio necessário e muitas delas necessitam apoio e do auxílio de terceiros para não caírem. É necessário que se comece a tomar providências principalmente naquelas que oferecem maiores riscos, cuja construção foi totalmente fora dos padrões normais. Além deste problema sério, temos ainda para complementar que alguns estabelecimentos comerciais, usam indevidamente as calçadas com mesas e cadeiras para atendimento de fregueses, obstruindo totalmente o passeio público, provocando com isso o deslocamento das pessoas para o leito da rua, onde também estão sujeitas a riscos enormes, pois os motociclistas, ciclistas e os carros não respeitam muito os pedestres, principalmente se acharem estar certos. Nós todos por natureza somos acomodados nas coisas que nos dizem respeito, isto quando se trata de particularidade pessoal, todavia, essa acomodação quando transferida para as coisas coletivas não podem acontecer porque o prejuízo sempre é muito maior e para solucionar pendências de uso público somente a ação da administração pública é permitida devido que só ela goza do poder de polícia para obrigar o contribuinte a fazer ou desfazer obras para o benefício da comunidade. Assim é que urge fazer alguma coisa com relação às calçadas públicas, haja vista que temos casos extremos, os quais precisam urgentemente ser sanados para o bem dos transeuntes, principalmente os idosos. Sabe-se que tal empreitada não é fácil de realizar, pois temos uma quantidade imensa de irregularidades, no entanto, seria interessante que nem que fosse a doses homeopáticas as ações se fizessem presentes pelo menos nos casos mais críticos. Eu, particularmente, tenho um amigo que ao escalar uma dessas calçadas, caiu e quebrou duas costelas, ficou no estaleiro por quase noventa dias. Daí não é nada cristão fazer vistas grossas ao perigo e sofrimento alheio.