É de conhecimento de todo o mundo, que um ano é composto de 365 dias e quatro horas. No entanto, se formos observar devido à ansiedade e a falta de coordenação das pessoas constata-se que há uma multiplicação desses dias em milhares de outros. Isto é, parece-nos que propositadamente adiantamos o expediente e começamos a viver antecipadamente os dias em busca de soluções que somente irão acontecer futuramente. Usando desse expediente é bem natural que sempre começamos a sofrer as possíveis decisões futuras antes mesmo de elas acontecerem. Quantas e quantas vezes ficamos remoendo as unhas diante de um acontecimento, cuja solução, dar-se-á em data futura. E, a gente por uma fraqueza emocional neste ínterim planeja mentalmente, a maioria por conveniência, várias soluções possíveis e imagináveis que poderiam ser dadas como definição da pendência. Interessante que quando chega o dia D, normalmente algo bem diferente acontece, frustando-nos ou aliviando-nos e, em muitos casos o nosso sofrimento foi realmente em vão, uma vez que não havia motivo para tal. Infelizmente a nossa cultura nos induz a colocar sempre o carro na frente dos bois, isto é, atropelamos os acontecimentos por não sabermos viver um dia de cada vez. É interessante viver intensamente o hoje, uma vez que o ontem já passou e o amanhã ainda não chegou. Lembro-me que na Comunidade de Recuperação Nova Vida, instituição que cuida de pessoas dependentes químicas, o seu lema principal é “um dia de cada vez”, cujo objetivo é manter a esperança do hoje sóbrio. Na verdade, este princípio de vida, por certo, renovará as forças dos recuperandos para que o amanhã seja um novo dia de luta e trabalho. Todavia, é oportuno citar que isso não quer dizer que se deve ignorar o passado e o futuro. Longe disso, pois, é óbvio que são tempos vividos e a viver que servem de norte as ações presentes, uma vez que ninguém consegue viver sem passado e futuro. No entanto, é quase inerente do ser humano viver no passado, seja remoendo magoas antigas, revivendo episódios marcantes ou difíceis, seja sentindo saudades de momentos bons vivenciados. Por outro lado, ao mesmo tempo temos também uma capacidade incrível de planejar o futuro. Porém, ao oscilarmos somente entre esses dois pólos, corremos o sério risco de se perder o equilíbrio, ou seja, o fiel da balança da vida que é o tempo presente. Caso contrário fica-se preso ao passado e, ao mesmo tempo imaginando, sem nenhuma certeza, um futuro distante. Vivendo esses extremos, naturalmente, como conseqüência haverá um hiato temporal no momento presente. O que acarretará, sem dúvida nenhuma, a passagem quase que desapercebida da vida por nós, e, quando acordarmos, infelizmente ela já se terá partido. Hei pessoal, abra os olhos, acorde, olhe a sua volta, respire e viva. Um dia de cada vez. Pois é no presente que a vida acontece, nos traz surpresas e coisas prazerosas. Aliás, o próprio nome já diz, presente, então, o lógico é viver o momento agora, portanto, um dia de cada vez.