Algum tempo atrás li um artigo sobre as coisas do passado, onde o articulista defendia um ponto de vista de que devemos não nos ater muito às coisas antigas, uma vez que a vida deve ser rolada para frente. Até aí tudo bem, no entanto, não devemos jamais esquecer de que a nossa existência está debruçada em três tempos básicos, ou seja, passado, presente e futuro. Considerando essa verdade é claro que não se pode ter uma vida sem experiências e, também sem perspectivas futuras, sem isso o presente seria totalmente oco e sem saídas, não teríamos paralelos de rumos a tomar, andaríamos a deriva. Normalmente é bem típico da maioria de nós, sempre que necessário nos referirmos a algum fato passado para citar os erros ou caminhos não convencionais que tomamos no presente. Essa bússola natural é que nos guia para um aperfeiçoamento de ações, visando um futuro mais confortável. Porém, é certo que o peso dos valores antigos não pode ser arquivado nas prateleiras da vida, pois, com certeza, se isso ocorrer, infelizmente estará ocorrendo o falecimento das esperanças futuras. Isto posto, não queremos aqui modular comportamentos como se todos fossem seminaristas, longe disso, mas é muito importante que a gente não perca de vista o respeito e a dignidade do ser humano. Não é saudosismo e nem falta de criatividade, mas com relação aos valores humanos, devemos confessar que estamos tão longe do ideal perdido que nos assusta muito o futuro das gerações presentes. Só a título de lembrança, o respeito antigamente era condição natural das pessoas, se respeitava muito os mais velhos, se respeitava muitíssimo os pais, os professores e, principalmente as pessoas se respeitavam mutuamente e também a si mesmas. O que vemos hoje é que esses valores foram totalmente desprezados, agimos num individualismo total, é como se o próximo não existisse. Que pena. Um dos afloramentos desse desrespeito todo acabamos de presenciar nesses dias de carnaval, onde a cidade foi invadida por turistas de todos os lados, os quais juntos com os nossos nativos ficaram totalmente à vontade. Vimos cenas que nos levou a crer que a gente estava em uma ilha de nudismo, tal era o comportamento da rapaziada, muito a vontade, aliás, à vontade até demais. Embora, isso não quer dizer que somos contra o carnaval, até que não, pois, a bem da verdade a folia em si é um momento oportuno para o extravasamento dos nossos estresses e, por outro lado, possibilita os encontros de velhas amizades, tudo dentro de um clima ameno e agradável. E, a extrapolação dos excessos deveria ficar reservada para lugares apropriados, pois, há lugares para tudo, basta ter consciência disso. O respeito é o limite das liberdades excedentes e, é bom lembrar que ele é muito bom e custa baratinho.