Certa feita lendo um livro deparei com um conto que dizia mais ou menos assim: “ Numa manhã ensolarada um velho pai convidou seu filho para dar uma passeada no bosque, a fim de ouvir o cantar dos pássaros. Alegre o filho aceitou. E, lá foram eles caminhando sobre a relva ainda molhada. Já algum tempo de passeio, o pai se deteve em uma clareira e, depois de pequeno silêncio, perguntou ao filho. Você está ouvindo alguma coisa, além do canto dos pássaros? O menino apurou os ouvidos alguns segundos e respondeu: Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo a estrada. Isso mesmo disse o pai e, é uma carroça vazia. Como o senhor consegue saber que é uma carroça vazia, se a gente ainda não consegue vê-la. Indagou o menino. Ora, disse o pai, é muito fácil perceber que a carroça está vazia. Sabe por quê? Não, respondeu o menino, muito intrigado. O pai, então, colocou a mão nos ombros do filho, olhou bem fundo nos seus olhos e explicou: Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior o barulho que ela faz. O pai não disse mais nada, porém, deu ao filho muito o que pensar sobre o fato.” O que será que se pode tirar dessa mensagem, obviamente, cada um terá sua divagação particular para pensar sobre a importância do conto. Diante disso, eu particularmente, viajo para o passado, aliás, muito distante, onde a educação era uma atitude natural, principalmente nas crianças. Jamais um filho interrompia os pais quando os mesmos estavam em conversa entre si ou com outras pessoas. Isto não acontecia nunca e, se caso ocorresse, a penalização era evidente. Todavia, tal penalização não era violência, pelo contrário, era simplesmente educativa. É claro, dependendo da gravidade poderiam sobrar algumas palmadas no traseiro, mas nada que pudesse trazer traumas futuros. Haja vista, que não é de meu conhecimento e acredito que de ninguém, que a educação de outrora tenha sido carrasco a ponto de formar cidadãos inferiores. Na verdade dá para ver que não, pois, os daquelas épocas são hoje os marcos indicadores e responsáveis pelo progresso da nação. Afinal de contas, o que nos indica isso, simplesmente, o nosso fracasso na formação dos nossos filhos. Uma vez que hoje o desrespeito campeia livremente e, em muitas oportunidades com a anuência dos próprios pais. Basta ver as atitudes das crianças diante da sociedade, agem como se o mundo fosse uma extensão de sua própria casa, com liberdade total. E, para reforçar tal afirmação é muito comum e constante vermos pela televisão agressões sem nenhum sentido de alunos em salas de aula contra os seus professores, numa verdadeira falta de civilidade e, acima de tudo respeito. Todavia, tais atitudes não são privilégios somente das crianças, mas, também de toda a sociedade que acaba diretamente sendo responsável por esses comportamentos anti-sociais. Com muitas saudades, vez por outra, baila diante de meus olhos e de minha mente os velhos tempos, onde o respeito era o tesouro principal. E, quando vejo, aliás, não preciso fazer grande esforço, uma pessoa tagarela e importuna interrompendo a conversa de todo mundo, ou, mesmo uma criança mal educada gritando com a mãe ou com os outros, lembro-me do conto e o que aquele pai dizia: “quanto mais vazia a carroça, maior o barulho que ela faz”.