De repente, fiquei pensando cá com os meus botões e, veio-me a mente o quão terrível é sentir solidão. Aliás, solidão não é necessariamente ficar sozinha, às vezes, pode-se senti-la bem no meio da multidão. É até gozado falar isso, todavia, a gente pode estar cercada de pessoas e, bem dentro de nós sentir que está só, pois, não se vê nenhum rosto amigo, nada que se possa conversar ou desfrutar de um carinho qualquer. A propósito lembrei-me de um conto que pode ilustrar bem este momento, a saber: “Diz que um menino maltrapilho, batendo de porta em porta pede aos que lhe atendem, um pedaço de pão velho para matar a fome. Não sei se foi por acaso ou não, ao pedir o pão velho a uma velha senhora, primeiro teve que ouvir as perguntas que lhe foram dirigidas, com segue; Como você se chama? Guilherme. Quantos anos você tem? Nove. Onde você mora? Depois da estação. Você está na escola? Não. Minha mãe não pode comprar o material. Seu pai mora com vocês? Não, ele sumiu. Enfim, após o papo com o garoto, a senhora disse, vou buscar o pão e, perguntou ao menino, serve pão novo. Inexplicavelmente, o menino respondeu, não precisa buscar o pão, pois, a senhora conversou comigo e isto já é o suficiente. E, esta resposta caiu como um raio sobre a velha senhora. Que teve a sensação de ter absolvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança, já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga”. Interessante que a partir dessa lição de vida, podemos estender o nosso horizonte de imaginação para mil outros exemplos de solidão e falta de afeto que se passa diante dos nossos olhos diariamente. Já imaginaram a população de pessoas marginais que vivem abandonadas, mesmo aquelas abrigadas por asilos, onde, com certeza, seus olhos e espírito vivem divagando no passado. Inclusive é bom lembrar que o Brasil está caminhando celeremente para ter oitenta milhões de sexagenários e, isso significa que a solidão está num crescente assustador. Haja vista que a solidão é quase irmã gêmea do idoso. Outro paradigma interessante são as pessoas que se aposentam e tem durante longos anos convívio permanente com os seus colegas e, quando se vêm fora de seu habitat profissional é como se fosse um peixe fora d’água. Sendo que muitos num período curto de tempo se encontram tão deslocados da realidade da vida que fatalmente se recolhem e, aí adquirem a famosa doença do século que é a depressão. Felizmente o homem é um ser que não pode jamais viver sozinho, lembre-se sempre da história do Adão e, se viver, fatalmente, vai para a morada eterna. Tanto é verdade que a escritora Raquel de Queiroz afirmava “A gente vive e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto viver acompanhado”. Portanto, façamos como Jesus pediu, “amemos-nos uns aos outros”. Amém.