Solidariedade zero

Quando se fica indeciso diante de alguma situação, dependendo do momento, as reações podem ter vertentes diversas, ou se pode ficar timidamente acabrunhado, isto é, sem nenhuma reação ou pelo contrário,  ter reação explosiva e ameaçadora, caso se tenha uma ascendência qualquer sobre a pessoa que o está supostamente a embaraçando. Isto acontece com certa freqüência no trabalho, quando a chefia, notadamente sem nenhum credencial para ocupar a função, começa a ver “sombras” em todos os subordinados, principalmente naqueles que se destacam um pouco mais e, como a sua cabecinha é vazia, começa a se portar de maneira grosseira e intimidadora. Achando, infelizmente, que essa sua postura, o devolverá a condição de superior, pois tem o poder de decidir sobre o destino das pessoas e, isso subjetivamente a torna protegida das supostas “sombras”. Todavia, é certo que tal situação não acontece só neste ambiente profissional, também é possível nos lares, com as domésticas ou em qualquer outro lugar, onde por parte daqueles que detém o poder só vêem obediência ou submissão através da imposição de violência e, isso, com certeza, é o maior trunfo dos incautos e desprovidos de qualquer espírito de solidariedade. Tem muita gente que acha que gritando, falando alto e intimidando as pessoas vai conseguir o que quer, talvez sim, porém, é certo que o seu futuro será a solidão, prêmio daqueles que não plantaram a amizade, o carinho e o amor. E, por falar nisso, achei um conto, muito interessante, de autor desconhecido, que de certa forma, espelha bem essa situação, a saber;  “ Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceite com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou: Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa? Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: estou ouvindo um barulho de carroça. Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia. Perguntei ao meu pai: Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos? Ora, respondeu meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que ela faz. Tornei-me adulto e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando para intimidar, tratando o próximo com grossura, de forma inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e, querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz”. Tem gente obtusa que acha o mundo propriedade particular e esquecem que ele pertence a todos nós. Por isso é que vemos de quando em vez mundinhos feitos para os despreparados, infelizmente neles residem pessoas marginalizadas e judiadas pelos pequenos déspotas, mas assim é a vida, madrasta para uns e afetivas para outros. O que nos conforta é que o mundo  é redondo, às vezes estamos embaixo, outras vezes estamos em cima, nos resta então saber a hora que o cavalo vai passar arreado e, não se distrair para não deixar o bicho ir embora sem tê-lo montado, de repente ele não passa mais, cuidado.